segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Clarice em minha vida.


A Hora da Estrela não é uma história feliz. Não é uma história romântica. Não tem nenhuma princesa, muito menos algum príncipe. Nem heróis. Nem bandidos. Nem mocinha.

Conta a vida de Macabéa, uma nordestina que imigrou para o Rio de Janeiro, com sua tia, depois que seus pais morreram. Como sempre, Clarice nos faz sentir as mesmas coisas que seus personagens. Ela transmite cada sentimento escondido (ou não) nas mulheres. Na alma feminina.

Macabéa é simples, moça sem instrução - Semi analfabeta - que vive em uma pensão dividindo o quarto com mais 4 mulheres e trabalha de datilógrafa ganhando uma mixaria. Macabéa não é bonita, não tem amigos e acredita que não faz diferença no mundo. Não questiona nada e sua vida é  "Já que sou, o jeito é ser."

O que mais me deixou encantada é a simplicidade de como Macabéa encara a vida. Ela só tem medo da morte, mesmo pobre, sem namorado e mal tratada pela sociedade, ela quer viver muito, muito mesmo. Por isso chega até a economizar esforço físico para viver mais. Ela não se importa com o que a sociedade acha dela, pois já que é, o jeito é ser. Fazer o que! - Queria eu ter esse desapego todo. Me apaixonei pela alma pura dessa nordestina, assim como estou me apaixonando cada vez mais por Clarice Lispector que entrou na minha vida a pouco tempo, mas que estou fazendo o possível para absorver o máximo que ela tem a transmitir.

Enquanto eu lia o livro fui sentindo que já tinha visto aquele enredo antes. Acabei lembrando que já tinha visto um filme com uma narrativa muito parecida e pesquisando encontrei que o danado do filme. Em 1985 a diretora Suzana Amaral e o roteirista Alfredo Oroz se uniram e trouxeram a vida Macabéa, Olímpico e os outros personagens de A Hora da Estrela.


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